É possível ter uma doença nos olhos e continuar enxergando bem?
Sim.
Essa talvez seja uma das informações mais importantes quando falamos sobre prevenção em oftalmologia.
Algumas doenças começam produzindo alterações que o paciente ainda não consegue perceber no cotidiano. Quando surgem dificuldades para enxergar, o problema pode já estar em uma fase mais avançada.
Isso não significa viver preocupado com doenças que não existem.
Significa entender por que a ausência de sintomas não é suficiente para garantir que a saúde ocular esteja perfeita.
Glaucoma: quando a perda acontece sem chamar atenção
O glaucoma é um grupo de doenças que causam danos ao nervo óptico.
Nas formas mais comuns, os sintomas iniciais frequentemente são ausentes. A perda visual tende a ocorrer de maneira lenta, normalmente começando pela visão periférica. 11
Como o cérebro e o outro olho podem compensar parte dessas mudanças, o paciente pode demorar a percebê-las.
O dano causado pelo glaucoma não é recuperado. Por isso, identificar a doença precocemente e iniciar o tratamento quando indicado é fundamental para proteger a visão.
Retinopatia diabética: enxergar bem não elimina o risco
A retinopatia diabética afeta os vasos sanguíneos da retina.
Nas fases iniciais, geralmente não provoca sintomas. Algumas pessoas só percebem mudanças na visão quando a doença já avançou. 12
É por isso que pessoas com diabetes precisam acompanhar a saúde da retina de acordo com a orientação médica, mesmo quando acreditam estar enxergando perfeitamente.
Degeneração macular: fases iniciais também podem passar despercebidas
A degeneração macular relacionada à idade, ou DMRI, afeta a mácula, região responsável pela visão central e pelos detalhes.
Nas fases iniciais da forma seca, pode não existir nenhum sintoma. 13
Com a evolução, podem surgir embaçamento central, dificuldade em ambientes pouco iluminados ou linhas que passam a parecer tortas.
O risco aumenta com a idade, especialmente após os 55 anos.
Por que o cérebro pode “esconder” algumas mudanças?
Nossa visão resulta do trabalho dos dois olhos e do processamento realizado pelo cérebro.
Quando determinadas alterações acontecem de forma lenta ou afetam inicialmente áreas que não comprometem tarefas centrais, o organismo consegue se adaptar por algum tempo.
Essa capacidade é útil para o dia a dia, mas também pode atrasar a percepção de algumas doenças.
Quem deve ter atenção especial?
O risco varia conforme a doença.
Alguns fatores que justificam acompanhamento mais próximo incluem:
- diabetes;
- idade avançada;
- histórico familiar de glaucoma;
- hipertensão;
- alta miopia;
- doenças oculares anteriores;
- fatores específicos identificados durante a consulta.
O oftalmologista é quem determina a necessidade e a frequência do acompanhamento.
Diagnóstico precoce significa que a doença será curada?
Nem sempre.
Diagnóstico precoce significa identificar uma condição em uma fase em que existem melhores possibilidades de acompanhamento e controle.
No glaucoma, por exemplo, o tratamento não recupera a visão já perdida, mas pode ajudar a impedir ou reduzir a progressão do dano. 14
Por isso, prevenção em oftalmologia não significa apenas impedir que uma doença apareça. Também significa descobri-la no momento certo.
Exames de rotina podem detectar essas alterações?
Uma avaliação oftalmológica completa permite observar estruturas que o paciente não consegue avaliar sozinho.
Dependendo do risco ou de achados da consulta, o médico pode indicar exames complementares.
O exame com dilatação pupilar, por exemplo, permite avaliar retina e nervo óptico e ajuda na detecção de doenças que podem não apresentar sinais iniciais. 15
O melhor momento para descobrir algumas doenças é antes de percebê-las
Essa frase resume a lógica da prevenção ocular.
O objetivo de uma consulta preventiva não é procurar problemas em todas as pessoas.
É reconhecer fatores de risco, acompanhar mudanças e identificar doenças que podem evoluir sem avisar.