“Estou enxergando bem. Preciso mesmo fazer um check-up visual?” Essa dúvida resume um comportamento bastante comum.
Muita gente associa a consulta oftalmológica à troca dos óculos. Quando consegue ler, dirigir e realizar as atividades normalmente, acredita que não existe motivo para procurar avaliação.
Só que uma consulta oftalmológica observa muito mais do que o grau.
Ela permite analisar diferentes estruturas dos olhos, avaliar fatores de risco e investigar sinais que ainda podem não estar interferindo na visão.
Check-up visual é a mesma coisa que medir o grau?
Não.
A avaliação do grau é apenas uma parte possível da consulta.
Um exame oftalmológico pode envolver avaliação da acuidade visual, pressão intraocular, pupilas, movimentos dos olhos e estruturas externas e internas, além de dilatação pupilar quando indicada. 16
Dependendo da necessidade, outros exames podem ser acrescentados.
O que o oftalmologista avalia durante a consulta?
A consulta é individualizada, mas normalmente considera:
- histórico de saúde;
- sintomas;
- histórico familiar;
- medicamentos utilizados;
- acuidade visual;
- refração, quando necessária;
- pressão intraocular;
- superfície e estruturas anteriores do olho;
- retina e nervo óptico, conforme indicação;
- alinhamento e movimentação ocular.
O objetivo é compreender como a pessoa enxerga e como estão as estruturas responsáveis pela visão.
Preciso dilatar os olhos em toda consulta?
Não necessariamente.
A dilatação é utilizada quando o oftalmologista precisa examinar determinadas estruturas internas com maior amplitude.
Ela é particularmente importante em algumas situações e fatores de risco.
A necessidade deve ser definida durante a consulta.
Exames complementares sempre fazem parte do check-up?
Não.
O exame clínico orienta a necessidade de procedimentos adicionais.
OCT, campimetria, retinografia, topografia da córnea e outros exames possuem indicações específicas.
Fazer muitos exames não significa necessariamente realizar um check-up melhor.
O importante é realizar aqueles que fazem sentido para a necessidade do paciente.
Com que frequência devo fazer check-up visual?
Não existe uma periodicidade única adequada para todas as pessoas.
A frequência depende de fatores como:
- idade;
- histórico familiar;
- doenças preexistentes;
- diabetes e hipertensão;
- grau elevado;
- cirurgias anteriores;
- uso de determinados medicamentos;
- alterações encontradas em avaliações anteriores.
Pessoas com maior risco podem precisar de acompanhamento mais frequente. O intervalo adequado deve ser definido pelo oftalmologista.
Crianças precisam fazer avaliação mesmo sem reclamar?
Sim.
Crianças nem sempre percebem ou conseguem explicar uma dificuldade visual.
O acompanhamento é importante para observar o desenvolvimento da visão e identificar condições que podem interferir no aprendizado e nas atividades do dia a dia.
E depois dos 40 anos?
Essa fase merece atenção porque a presbiopia começa a surgir e o risco de determinadas doenças aumenta progressivamente.
Isso não significa que toda pessoa com 40 anos terá algum problema.
Significa que o acompanhamento passa a ganhar ainda mais importância.
Quem tem diabetes precisa de um acompanhamento diferente?
Sim.
O diabetes aumenta o risco de retinopatia diabética, que frequentemente não provoca sintomas no início. O acompanhamento deve seguir as orientações médicas de acordo com o tipo de diabetes, tempo de diagnóstico e condições da retina. 17
Quando não esperar pelo próximo check-up?
Alguns sinais exigem avaliação antes da consulta preventiva programada:
- perda súbita da visão;
- trauma ocular;
- dor intensa;
- flashes acompanhados de aumento repentino de moscas volantes;
- sombra ou “cortina” sobre o campo visual;
- contato dos olhos com produtos químicos;
- alterações repentinas importantes.
Nessas situações, procure atendimento adequado.
Check-up visual não serve apenas para descobrir se você precisa de óculos
Ele ajuda a responder uma pergunta maior:
como está a saúde dos seus olhos?
Durante o Mês da Visão, essa talvez seja a reflexão mais importante.
Esperar a visão piorar não deve ser o único sinal para lembrar do oftalmologista.