O Hospital de Olhos Rui Marinho (HORM) acaba de reforçar sua estrutura com a aquisição de dois equipamentos que atuam em momentos diferentes e complementares da assistência oftalmológica: o California, da Optos, sistema de imagem de campo ultra amplo da retina, e o UNITY VCS, da Alcon, plataforma cirúrgica voltada a procedimentos de catarata e vitreorretinianos.
São tecnologias de ponta, de alto investimento, que colocam o HORM entre os centros mais avançados do país em diagnóstico e cirurgia de retina. A aquisição acompanha o movimento de atualização contínua do HORM e, especialmente, o fortalecimento de sua atuação na área de retina.
Para a Dra. Denise Pardini Marinho, especialista em retina e diretora executiva do hospital, investir em tecnologia é uma decisão que precisa estar diretamente ligada à prática médica: “O Hospital Rui Marinho está sempre investindo em tecnologia para melhorar os métodos diagnósticos. É um esforço operacional muito grande.“
Uma visão muito mais ampla da retina
O California produz imagens de campo ultra amplo da retina: em uma única captura, registra até 200 graus — cerca de 82% da retina, incluindo regiões centrais e periféricas, em menos de meio segundo.
É essa capacidade de alcançar a periferia que torna o equipamento particularmente valioso. Há alterações que se manifestam na região central do olho, mas outras surgem ou dão seus primeiros sinais em áreas periféricas, cuja documentação completa é um desafio nos sistemas convencionais. “Com esse equipamento, aumentamos nossa capacidade diagnóstica, melhoramos o acompanhamento das doenças e a verificação dos resultados após o tratamento. Isso inclui até a compreensão do próprio paciente sobre sua condição: ele consegue ver o ‘antes’ e o ‘depois’ e constatar a melhora do seu quadro“, explica Dra. Denise.



Imagens de retina obtida com o California (Optos), equipamento de última geração que compõe a nova estrutura tecnológica do HORM.
Quando enxergar a periferia faz diferença
Entre as aplicações destacadas estão as roturas e degenerações periféricas da retina, que em determinados casos podem preceder um descolamento de retina. A imagem permite registrar localização e extensão dessas alterações e acompanhar o paciente após o tratamento.
Há ainda um ganho na relação com o paciente: em vez de depender só da explicação verbal, o médico passa a mostrar exatamente o que encontrou — e o resultado do tratamento. Isso cria um histórico visual do caso, comparável ao longo do tempo.
Diabetes e outras alterações vasculares
O California também realiza angiografia fluoresceínica, exame que avalia a circulação sanguínea da retina através de um corante administrado por via intravenosa. O recurso auxilia na investigação de alterações relacionadas a diabetes, hipertensão, oclusões vasculares e outras condições que afetam a circulação retiniana — inclusive doenças sistêmicas, já que os vasos da retina podem ser observados diretamente durante o exame. “Detecção precoce de alteração vascular causada pelo diabetes”, resume a especialista.
A documentação por imagem ganha importância especial em doenças crônicas, tratamentos a laser e acompanhamento pós-cirúrgico — inclusive para médicos que não atuam diretamente como especialistas em retina e já demonstram interesse em encaminhar pacientes para o exame. “Dá muita informação, dá muita segurança para o médico”, resume Dra. Denise.
Do diagnóstico ao centro cirúrgico
Se o California qualifica o olhar sobre a retina, o UNITY VCS leva o avanço para a etapa seguinte: uma plataforma integrada da Alcon para cirurgias de segmento anterior e posterior do olho, reunindo em um único sistema os recursos para catarata e para procedimentos vitreorretinianos.

Entre os destaques estão o Intelligent Fluidics, que controla pressão e fluxo durante o procedimento, e o HyperVit, vitrector capaz de atingir até 30 mil cortes por minuto, segundo a fabricante. São especificações técnicas que apontam para um mesmo propósito: colocar nas mãos do cirurgião uma nova geração de recursos dentro do centro cirúrgico.
Dois equipamentos, um mesmo movimento
Juntos, os dois investimentos ganham dimensão maior: um amplia a visualização, a documentação e o acompanhamento de doenças da retina; o outro entra no centro cirúrgico, onde parte dessas doenças precisará ser tratada.
Para quem não vive a rotina da oftalmologia, termos como campo ultra amplo, angiografia fluoresceínica ou facoemulsificação podem soar distantes. Mas o benefício é simples de entender: mais informação para o médico avaliar o caso, mais recursos para documentar o que está sendo visto, e tecnologia de ponta para conduzir o tratamento, sem substituir o julgamento clínico, mas ampliando o que está ao seu alcance.
É um investimento que se materializa em equipamentos de alto custo e tecnologia de referência internacional, mas que revela sobretudo a direção que o Rui Marinho pretende seguir: unir estrutura, experiência e tecnologia para continuar evoluindo a assistência oferecida a cada paciente.