Retinopatia diabética: o que é e por que acompanhar a saúde dos olhos

Entenda o que é retinopatia diabética, como o diabetes pode afetar a retina, por que a doença pode evoluir sem sintomas e quando avaliar a visão.

Ter diabetes exige atenção a diferentes partes do organismo. Glicemia, pressão arterial, função renal, circulação e alimentação costumam fazer parte dessa rotina de cuidados. Os olhos também precisam entrar nessa conversa.

Isso acontece porque o excesso de glicose no sangue ao longo do tempo pode provocar alterações nos pequenos vasos sanguíneos que irrigam a retina, estrutura localizada no fundo do olho e essencial para a formação das imagens. Quando essas alterações estão relacionadas ao diabetes, estamos diante da retinopatia diabética.

Existe um aspecto especialmente importante nessa doença: a visão pode permanecer aparentemente normal enquanto alterações já estão acontecendo na retina.

É por isso que esperar enxergar mal para procurar avaliação não é uma estratégia segura para quem vive com diabetes.

Ao longo de novembro, a campanha “De olho na retina — Diabetes e visão: informação para cuidar”, do HORM, vai aprofundar diferentes pontos dessa relação. Neste primeiro artigo, o objetivo é entender o que acontece na retina, por que o acompanhamento é necessário e como esse cuidado se integra ao controle do diabetes.

Quando o diabetes começa a afetar a retina

A retina é um tecido altamente especializado e rico em pequenos vasos sanguíneos. Ela recebe a luz que entra nos olhos e participa da transformação dessa informação em sinais que serão interpretados pelo cérebro como imagens.

Quando a glicose permanece elevada ao longo do tempo, esses pequenos vasos podem sofrer alterações. Podem surgir microaneurismas, pequenos sangramentos, áreas com circulação comprometida e vazamento de líquido. A evolução varia de pessoa para pessoa e está relacionada, entre outros fatores, ao tempo de diabetes e ao controle metabólico. 

Esse processo não acontece de uma única forma nem avança obrigatoriamente no mesmo ritmo em todos os pacientes.

A retinopatia diabética é classificada em estágios, e compreender essa progressão ajuda a entender por que algumas pessoas precisam apenas de acompanhamento enquanto outras necessitam de tratamento.

Retinopatia diabética não proliferativa

Nos estágios iniciais, as alterações acontecem principalmente nos pequenos vasos já existentes na retina.

É a chamada retinopatia diabética não proliferativa. Ela pode variar de leve a grave.

No começo, essas alterações podem ser discretas e não provocar qualquer mudança percebida pelo paciente.

Retinopatia diabética proliferativa

Quando a circulação da retina fica mais comprometida, o olho pode responder formando novos vasos sanguíneos.

O problema é que esses vasos são frágeis e podem sangrar. Também podem estar associados à formação de tecido cicatricial e a complicações mais graves, como hemorragia vítrea e determinados tipos de descolamento de retina.

Essa fase é chamada retinopatia diabética proliferativa.

A diferença entre os estágios não serve apenas para dar um nome à doença. Ela interfere diretamente na forma como o oftalmologista acompanha cada paciente e decide se algum tratamento é necessário.

A mácula também pode ser afetada

A retina possui uma região central chamada mácula, responsável pela visão de detalhes e por atividades como ler, reconhecer rostos e dirigir.

Em pessoas com diabetes, alterações nos vasos podem permitir o acúmulo de líquido nessa região. Esse quadro é chamado edema macular diabético.

Ele pode ocorrer em diferentes momentos da evolução da retinopatia e provocar redução ou distorção da visão central.

Essa distinção é importante porque retinopatia diabética e edema macular diabético estão relacionados, mas não significam exatamente a mesma coisa.

Nos próximos artigos do cluster, vamos mostrar como os exames ajudam o médico a avaliar essas diferentes alterações e como essa informação interfere na escolha do acompanhamento e do tratamento.

O silêncio da doença explica boa parte do risco

Um dos maiores desafios da retinopatia diabética é que seus estágios iniciais frequentemente não apresentam sintomas.

A pessoa pode ler, trabalhar, dirigir e realizar suas atividades normalmente enquanto pequenas alterações vasculares já estão presentes na retina.

Isso muda a lógica do cuidado.

Em muitas condições de saúde, um sintoma leva o paciente ao médico. Na retinopatia diabética, a avaliação precisa acontecer mesmo quando esse alerta ainda não apareceu.

Com a progressão da doença, podem surgir:

  • visão embaçada;
  • dificuldade para ler ou enxergar à distância;
  • manchas ou pontos escuros flutuando na visão;
  • áreas do campo visual comprometidas;
  • piora da visão central;
  • redução importante da visão nos quadros mais avançados.

Mas o objetivo do acompanhamento é justamente não depender da chegada desses sintomas para descobrir o problema.

Ter diabetes significa que vou desenvolver retinopatia?

Não.

Ter diabetes representa um fator de risco, não uma certeza de que haverá comprometimento da retina.

A probabilidade aumenta principalmente com o tempo de duração do diabetes e com níveis elevados de glicose ao longo dos anos. Hipertensão arterial, alterações dos lipídios e doença renal também estão associadas a maior risco ou progressão da retinopatia. 

Esse ponto é importante porque o cuidado com a visão não está separado do cuidado com o diabetes.

Manter glicemia, pressão arterial e colesterol dentro das metas estabelecidas pela equipe responsável pelo tratamento ajuda a reduzir o risco de desenvolvimento ou progressão da retinopatia diabética. 

O oftalmologista cuida da retina. O acompanhamento clínico do diabetes cuida dos fatores que continuam agindo sobre ela.

Esses cuidados precisam conversar.

O momento da primeira avaliação depende do tipo de diabetes

O rastreamento não começa da mesma forma para todos.

A Diretriz 2026 da Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda que pessoas com diabetes tipo 2 façam a avaliação para retinopatia já no momento do diagnóstico, porque a doença pode ter permanecido sem diagnóstico durante algum tempo.

Para adultos com diabetes tipo 1, a recomendação é iniciar o rastreamento após cinco anos de duração da doença. 

Depois dessa primeira avaliação, a frequência do acompanhamento depende dos achados e do risco individual.

Na ausência de retinopatia ou diante de formas leves, a diretriz brasileira recomenda acompanhamento anual. Quadros moderados, graves ou em progressão podem exigir intervalos menores. 

Isso explica por que não faz sentido determinar uma frequência única para todas as pessoas com diabetes.

O calendário deve acompanhar o que está acontecendo com aquele paciente.

Avaliar a retina exige olhar além da acuidade visual

Conseguir ler as letras de uma tabela não responde sozinho à pergunta: como está a retina?

Na investigação da retinopatia diabética, o oftalmologista precisa examinar o fundo do olho e avaliar as estruturas retinianas.

A diretriz brasileira recomenda que a avaliação inicial seja realizada com pupilas dilatadas, incluindo exame da retina. 

Quando existem achados específicos ou necessidade de compreender melhor determinadas estruturas, exames complementares podem ser utilizados.

Um deles é a Tomografia de Coerência Óptica (OCT), que produz imagens detalhadas das camadas da retina e pode contribuir especialmente para a avaliação e o acompanhamento do edema macular diabético. O HORM dispõe desse exame em sua estrutura. 

Mas não existe uma lista de exames que toda pessoa com diabetes precise realizar em todas as consultas.

No próximo artigo deste cluster, vamos explicar com mais profundidade como a investigação é feita e por que o médico escolhe exames diferentes conforme cada situação.

Visão embaçada em quem tem diabetes merece uma análise cuidadosa

Outra questão importante é não atribuir automaticamente toda alteração visual à retinopatia diabética.

O diabetes pode interferir na visão de outras maneiras.

Variações importantes da glicemia podem provocar mudanças temporárias na refração, fazendo com que o grau aparente oscile. Pessoas com diabetes também apresentam maior risco para outras condições oculares, incluindo catarata e glaucoma. 

Por isso, quando alguém com diabetes começa a enxergar embaçado, a pergunta não deve ser simplesmente: “É retinopatia?”

A questão correta é descobrir o que está causando a mudança na visão.

Esse será o tema do terceiro artigo da campanha.

O diagnóstico não significa automaticamente tratamento imediato

Descobrir retinopatia diabética também não significa que todo paciente precisará começar imediatamente um procedimento.

Em fases iniciais, muitas vezes a conduta consiste em acompanhar a evolução da retina e intensificar o cuidado com os fatores sistêmicos associados ao diabetes.

Quando a doença atinge determinados estágios ou surgem complicações, podem ser indicados tratamentos como medicamentos aplicados dentro do olho, laser ou cirurgia, dependendo do quadro. 

A escolha depende de fatores como:

  • estágio da retinopatia;
  • presença de edema macular;
  • região da retina comprometida;
  • qualidade da visão;
  • presença de hemorragias ou outras complicações;
  • evolução observada durante o acompanhamento;
  • condições gerais de saúde do paciente.

Não existe, portanto, “o tratamento da retinopatia diabética” como uma única solução.

Existe uma estratégia definida conforme aquilo que está acontecendo nos olhos de cada paciente.

Esse raciocínio será aprofundado no quarto artigo do cluster.

O acompanhamento não termina quando a visão melhora

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes de todo o tema.

Retinopatia diabética está ligada a uma condição crônica: o diabetes.

Mesmo quando a doença ocular está estável ou após um tratamento bem-sucedido, a retina continua precisando ser acompanhada de acordo com a orientação médica.

A finalidade dos retornos é observar se o quadro permanece estável, identificar novas alterações e decidir se é necessário modificar a conduta.

No encerramento do cluster, vamos aprofundar justamente essa ideia: por que o cuidado com a retina continua depois do diagnóstico e também depois do tratamento.

O cuidado começa antes da perda de visão

A retinopatia diabética ajuda a mostrar por que saúde ocular e qualidade da visão não são exatamente a mesma coisa.

Uma pessoa pode estar enxergando bem e ainda assim precisar acompanhar alterações na retina.

Esse é o ponto central da campanha “De olho na retina — Diabetes e visão: informação para cuidar”.

Para quem vive com diabetes, incluir a avaliação oftalmológica na rotina não significa esperar por um problema. Significa acompanhar uma estrutura que pode sofrer os efeitos da doença antes que eles se tornem perceptíveis.

No HORM, em Belo Horizonte, a área de retina clínica e cirúrgica integra o atendimento oftalmológico do hospital, com atuação de especialistas na avaliação e no acompanhamento das doenças retinianas.

Se você tem diabetes e ainda não sabe como está a saúde da sua retina, converse com seu médico e mantenha sua avaliação oftalmológica em dia.

Perguntas frequentes

Retinopatia diabética sempre causa sintomas?

Não. Nos estágios iniciais, é comum que não haja sintomas perceptíveis. Por isso, o rastreamento é importante mesmo para quem está enxergando bem.

Quem tem diabetes tipo 2 deve avaliar a retina quando?

A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda iniciar o rastreamento no momento do diagnóstico do diabetes tipo 2.

Quem tem diabetes tipo 1 precisa fazer avaliação logo no diagnóstico?

Para adultos com diabetes tipo 1, a recomendação é iniciar o rastreamento quando descoberto e ao longo dos anos. Após 5 anos pode se agravar.  Existem recomendações específicas para crianças e adolescentes.

Controle da glicemia ajuda a proteger a retina?

Sim. O controle glicêmico adequado reduz o risco de surgimento e pode retardar a progressão da retinopatia. Controle da pressão arterial e dos lipídios também faz parte dessa estratégia.

Toda pessoa com retinopatia precisa de injeção ou laser?

Não. A conduta depende do estágio da doença, presença de edema macular, qualidade da visão e outros achados. Alguns pacientes permanecem inicialmente apenas em acompanhamento.

Navegue pelo conteúdo

Fale com
a gente
Agende sua consulta, fale com nossa equipe